O anúncio de rompimento do PDT com o governador Lucas Ribeiro escancara um problema antigo da política brasileira: a dificuldade de distinguir entre defesa de projeto e disputa por espaço de poder. O partido, que teve Rafaela Camaraense à frente de uma secretaria estadual, alega insatisfação por não ver sua indicada como vice na chapa governista. Do ponto de vista formal, é legítimo que uma sigla busque protagonismo, mas o momento sugere menos ‘convicção’ e mais cálculo eleitoral.
Composições políticas são, de fato, inevitáveis. Porém, nenhuma chapa cabe todos os partidos que sustentam uma base. E a vaga de vice costuma exigir um nome capaz de agregar e satisfazer a maioria. Um PDT nacionalmente alinhado a Lula, e que na Paraíba integrou uma gestão estadual que segue alinhada ao PT, poderia negociar outros espaços. O rompimento, portanto, indica que o incômodo não é com um modelo de gestão que dá resultados, mas com a ausência de um nome na disputa.
As alternativas em estudo pelo partido reforçam essa análise, pois lançar candidatura própria ou migrar apoio para Cicero, ex-prefeito de João Pessoa, são movimentos que fazem sentido tático, mas, dificilmente, se sustentam em uma crítica ao governo vigente — afinal, a gestão que o PDT ajudou a construir nos últimos anos é a mesma que, agora, ele se dispõe a negar. Trocar de lado por não ter o cargo desejado é um roteiro conhecido da velha política, ainda que ‘embalado’ no discurso da esquerda.
Apesar da decisão da legenda, a ex-secretária de Meio Ambiente da PB, Rafaela Camaraense continuará apoiando Lucas Ribeiro – e avalio que isso é mais do que simbólico: é reconhecimento por parte de quem viveu a experiência de governo por dentro e sabe que resultado de gestão pesa mais do que barganha de sigla.
Em entrevista à CBN-JP, o presidente nacional da legenda Carlos Lupi demonstrou descontentamento com a escolha de Lígia Feliciano (União Brasil) para vice e anunciou que o PDT não faz mais parte da base aliada que apoia a reeleição de Lucas nas eleições de 2026.