Direto da redação
Os desdobramentos da Operação Perfídia ganharam mais um capítulo. Novos arquivos de áudio e mensagens obtidos pela Rede Paraíba de Comunicação expõem os bastidores de como policiais civis investigados por envolvimento com o narcotráfico atuavam ativamente para blindar e beneficiar lideranças criminosas no estado.
Entre os materiais que vieram a público, estão mensagens atribuídas ao investigador da Polícia Civil da Paraíba, Ewerton Aires, conhecido no meio policial e criminoso pelo apelido de “Bomba”.
Nos diálogos, o agente agia como uma espécie de “informante” do crime organizado, avisando traficantes sobre investigações em curso e o cronograma de operações que seriam deflagradas pelas forças de segurança.
Nas mensagens, “Bomba” orientava expressamente que os criminosos limpassem os locais, retirando entorpecentes e qualquer vestígio ilícito antes da chegada das viaturas.
A investigação, que vem sendo conduzida em conjunto pela própria Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) desde fevereiro de 2025, desmantelou uma estrutura criminosa complexa incrustada no aparelho de segurança estatal.
O esquema consistia em três frentes principais de atuação dos agentes infiéis:
- Vazamento de inteligência: repasse de informações estritamente sigilosas sobre o andamento de inquéritos e expedição de mandados;
- Monitoramento em tempo real: alertas aos traficantes sobre movimentações policiais e blitze em andamento;
- Sociedade no crime: participação direta na comercialização de substâncias entorpecentes e na divisão dos lucros obtidos pelo tráfico.
A Operação Perfídia foi deflagrada no último dia 2 de junho, resultando no cumprimento de mandados de prisão que atingiram diretamente a estrutura da corporação. Foram presos os agentes de investigação Ewerton Aires (“Bomba”) e Eduardo Ferreira, conhecido como “Mão Branca”, além do ex-delegado Braz Morrone.
Outras cinco pessoas também foram detidas na ação, incluindo o traficante cuja denúncia inicial deu origem à investigação que revelou o esquema. Com o acesso aos novos áudios, a Corregedoria da Polícia Civil e o Poder Judiciário devem acelerar os processos administrativos disciplinares que podem resultar na demissão a bem do serviço público dos envolvidos, enquanto o processo criminal segue sob segredo de justiça em suas fases de instrução.