Quando a “guerra de rojões” deixa de ser tradição e vira caso de polícia

Para o povo nordestino, o período junino é a melhor época do ano. É quando a fé católica e as expressões culturais são manifestas, sobretudo, em espaços públicos, onde, também, ocorrem alguns excessos envolvendo fogos, por exemplo, como ocorreu no Juá, em Guarabira (PB). E isso não foi um caso isolado, mas reincidente – como já registrado em outros bairros também, eu mesmo já presenciei.

Penso que a gente deve viver e aproveitar as tradições culturais sem excessos, tendo ciência da diferença entre manifestação cultural e baderna. Porque quando um movimento compromete a ordem pública e coloca em risco a saúde ou o bem-estar de pessoas, ele perde o sentido e a razão de existir, mesmo tendo a ver com a cultura, como soltar rojão no S. João.

Soltar rojões, busca-pés e mijões no período junino faz parte da festa, eu sei – desde que essa ‘brincadeira’ aconteça em local público adequado ou em outro espaço, sem comprometer o direito de ir e vir, a saúde e o bem-estar das pessoas. Quando essa regra não é respeitada, a prática deixa de ser brincadeira e deve ser contida pelas autoridades competentes, como ocorreu no Juá.

Devido à resistência de alguns indivíduos que estavam comprometendo a ordem pública, a Polícia Militar teve que usar spray de pimenta para tentar conter uma “guerra de rojões” no bairro do Juá. Observe que houve resistência diante da autoridade policial – e como a PM teve dificuldade em controlar a situação, a “tradição” perdeu a razão e virou caso de polícia.

Em seu programa, a jornalista Michele Marques comentou sobre o assunto. Ela defendeu o trabalho da polícia e criticou quem estava a favor da baderna no Juá, um bairro de muita tradição e famílias de bem que, certamente, também estavam incomodadas com a situação. Comungo com a opinião de Michele. Sou a favor da cultura com ‘ordem e da decência’.

A Lei Estadual nº 13.235/2024 proíbe a fabricação, comercialização, armazenamento, transporte e a queima de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que produzam estampido, estouro ou barulho. Os fogos com efeitos visuais (sem barulho) estão liberados.

Portanto, espero que a população se conscientize das leis sobre fogos e fogueiras, que deveriam valer para todos. Porém vejo eventos religiosos e políticos, por exemplo, infringindo e ficando impunes em nome de “fé e tradição”.

Respeito quem pensa diferente, mas, estou do lado de quem sofre com problemas respiratórios, das pessoas idosas, autistas e dos animais que também adoecem.

É possível e necessário se reinventar para manter tradições culturais, bem como o seu direito de manifestá-las livremente sem ferir o direito dos outros.

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